Embora em termos de saúde pública, em muitos paises,
existam doenças mais importantes do que a osteoporose, é um fato que
considerável parcela da população dessas nações apresenta ou virá a
apresentar consequências mais ou menos graves da diminuição da massa
óssea. Estima-se que nos Estados Unidos da América do Norte o número de
pessoas com osteoporose esteja entre 15 e 20 milhões, levando à uma
incidência anual média de 1,3 milhões de fraturas, com o custo aproximado
de 3,8 bilhões de dólares. A idade crítica para as mulheres, com relação à
osteoporose, é a menopausa, e para os homens, os 80 anos. A perda óssea em
mulheres começa aos 35 anos e progride 1% ao ano até a menopausa. Nos 4 à
5 anos após o término das menstruações, as mulheres perdem de 2 à 4 % ao
ano, e depois voltam aos níveis de perda em torno de 1 % ao ano. Nos
homens a perda começa aos 45 anos e é cerca de 0,5 % ao ano,
continuadamente. A importância clínica da osteoporose está no aumento da
incidência de fraturas. A osteoporose tipo I (pós-menopausa) manifesta-se
com fraturas principalmente de rádio e vértebras. A osteoporose tipo II
(senil) manifesta-se mais com fratura do colo do fêmur, em pessoas acima
dos 60 anos. Aos 70 anos de idade, 25 % das mulheres apresentam fraturas
de corpos vertebrais, às vezes assintomáticas. A massa óssea depende de fatores genéticos,
nutricionais, hormonais e ambientais, sendo críticos os níveis de
atividade física Como vimos, os exercícios físicos ( Alguns estudos permitiram identificar mecanismos pelos
quais os exercícios físicos estimulam o aumento de massa óssea. O processo
de remodelagem do osso ocorre quando as forças mecânicas dobram
ligeiramente o órgão, produzindo cargas elétricas negativas na região
côncava e positivas na convexa. Cálcio e fósforo acumulam-se na região
côncava e são reabsorvidos da região convexa. Imagina-se que a hipertrofia
do osso em função do exercício segue o modelo da hipertrofia muscular: o
stress físico produziria micro-lesões; os osteoclastos removeriam as
estruturas lesadas; os osteoblastos reporiam matriz calcificada na área,
em maior quantidade do que a removida. Excesso de destruição levaria ao
enfraquecimento do osso devido à incapacidade dos osteoblastos repararem
as micro-lesões. Tal como em toda forma de sobrecarga, os níveis de
intensidade para produzir incrementos da função solicitada são acima dos
níveis habituais de homeostase e abaixo dos níveis de lesão. No músculo
esquelético já se identificou uma substância mitógena produzida pela lesão
celular no exercício, e que atua no processo de aumento de massa muscular.
Imagina-se que as micro-lesões da sobrecarga tensional estimule o tecido
ósseo a produzir alguma substância estimulante da osteogênese. Outra
possibilidade é um mecanismo alternativo ou sinérgico ao anterior, onde se
postula a existência de mecanoreceptores no osso, regulados por hormônios
sexuais, que transformariam estímulos de tensão em estímulos bioquímicos
para a osteogênese. Sabe-se que os exercícios funcionam melhor como
estimulantes da osteogênese na presença de hormônios sexuais. Um aspecto
relevante é que os exercícios aumentam os níveis de hormônios sexuais e
hormônio do crescimento proporcionalmente à sua intensidade. Os exercícios
com pesos são os mais eficientes para aumentar a massa óssea, e também os
que mais estimulam esses hormônios anabolizantes. A relação testosterona /
cortisol reflete o estado anabólico e está aumentada significantemente nos
exercícios com pesos, contribuindo para o aumento da massa muscular e
óssea. Excesso de treinamento produz efeitos contrários. Similarmente ao
aumento da sensibilidade à insulina produzida pelos exercicios físicos,
imagina-se uma maior sensibilidade do tecido ósseo aos hormônios
estimulantes da mineralização, induzida particularmente pelos exercícios
com cargas, e provavelmente pelo mecanismo de aumento numérico de
receptores hormonais. Atualmente sabe-se que os execícios com pesos não são
apenas os mais eficientes para aumentar a massa óssea, mas também para
aumentar a massa e a força dos músculos esqueléticos. Adicionalmente,
melhoram a flexibilidade e a coordenação, evitando quedas em pessoas
idosas, que poderiam produzir fraturas em ossos osteoporóticos. Outra
qualidade dos exercícios com pesos que justifica a sua utilização nas
faixas etárias onde a osteoporose constitui problema, é a sua segurança. A
incidência de lesões é muito reduzida em função da ausência de choques
entre pessoas, de movimentos violentos, e mínimo risco de quedas. Também
se demonstrou que a segurança cardiológica nos exercícios com pesos bem
orientados é superior à de exercícios de média intensidade realizados de
maneira contínua, onde o aumento da frequência cardíaca pode ser fator
patogênico importante. Resumindo a situação dos exercícios físicos em relação
à osteoporose: a sua importância é grande tanto para a profilaxia quanto
para o tratamento dessa condição. A sua utilização deve ocorrer desde a
infância, nos anos onde se atinge a massa óssea máxima. Por mecanismos
ainda pouco esclarecidos, os exercícios mais eficientes são os que
implicam em suporte de cargas e contrações musculares fortes. Dentre esses
tipos de exercícios, os mais seguros e práticos são os exercícios com
pesos. Dr. José Maria Santarem |